12 de Janeiro de 2006
Senhor Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Senhor Director-Geral dos Impostos
Senhores Dirigentes
Senhores Chefes dos Serviços de Finanças
Senhoras e Senhores
Sendo esta a terceira vez que estou presente nestes seminários
para dirigentes da Direcção-Geral dos Impostos, e sendo sempre
com muito gosto que o faço, devo dizer-lhes que hoje é com
particular agrado que procedo ao encerramento deste encontro.
Desde logo, porque o mesmo contou com a presença do Senhor
Presidente da República, que nos concedeu a honra de intervir na
abertura deste seminário.
A presença e a intervenção do Senhor Presidente da República
constituiu certamente, para todos nós, e em particular para os
senhores dirigentes e chefias aqui presentes, um forte estímulo
para que se continue a trabalhar, de forma cada vez mais
determinada e empenhada, conduzindo o nosso sistema fiscal
para níveis cada vez mais elevados de justiça, equidade e
competitividade – sendo certo que, como já tive oportunidade de
referir anteriormente, tal só é possível com uma Administração
Fiscal forte, eficiente e eficaz.
Depois, é também com muito gosto que me dirijo a uma plateia tão
alargada e que, desta vez, conta também com a presença de
cerca de 900 chefias tributárias dos Serviços de Finanças de todo
o País.
Quero por isso começar por me dirigir em particular a estes
responsáveis e agradecer-lhes o bom trabalho que têm vindo a
realizar e que está bem patente nos resultados alcançados,
designadamente ao nível da cobrança executiva, que em 2005
alcançou o resultado histórico de cerca de 1400 milhões de euros,
excedendo em quase 100 milhões de euros o objectivo fixado, e
crescendo mais de 30% relativamente ao ano anterior.
Trata-se, de facto, de um excelente resultado, particularmente
quando todos sabemos que foi obtido num contexto de grande
exigência também a outros níveis, designadamente com:
• a migração dos processos de execução fiscal para o Sistema
Informático de Execuções Fiscais, tendo sido informatizados
mais de três milhões de processos; e
• e com a informatização, ainda em curso, dos processos de
contraordenação fiscal, para o Sistema Informático de
Contraordenações Fiscais (SCO);
Também ao nível do atendimento foram maiores as solicitações,
em face do aumento da afluência de contribuintes aos Serviços de
Finanças decorrente de factores como:
• o incremento verificado ao nível dos controlos automáticos para
detecção de faltosos;
• o controlo dos devedores para efeitos da suspensão e ou
revogação de benefícios fiscais;
• a realização de 700 mil avaliações de imóveis que,
naturalmente, levou a que um número significativo de
contribuintes se deslocasse aos Serviços de Finanças para o
esclarecimento de dúvidas suscitadas por essas avaliações;
• a instauração automática de processos de contra-ordenação
referentes a infracções em sede de impostos sobre o
rendimento e sobre o património, relativos a anos anteriores, e
que só em 2005 começaram a ser objecto de penalização
efectiva.
Todo este trabalho foi ainda realizado num contexto de alguma
instabilidade do sistema informático, o que, naturalmente,
dificultou o desempenho destes serviços.
Considero, assim, que é de toda a justiça reconhecer e agradecer
o bom trabalho que os Serviços de Finanças realizaram em 2005.
Mas temos também consciência, e já o afirmei por diversas vezes,
que há muito ainda por fazer e por melhorar, sendo que um
aspecto que considero absolutamente crucial é que se combata de
forma cada vez mais determinada e eficaz as prescrições de
dívidas fiscais.
A importância deste combate decorre, não apenas da necessidade
de salvaguardar as receitas do Estado – o que, naturalmente, é
muito relevante – mas também, do efeito moralizador que tem e
que vai entroncar num outro combate que é absolutamente
essencial: o combate à fraude e à evasão fiscais.
Na verdade, a prescrição de dívidas fiscais transmite aos
contribuintes, e à sociedade em geral, a ideia de que os
comportamentos evasivos e de incumprimento são
compensadores e, consequentemente, que os contribuintes
cumpridores são penalizados. Ora, isto é absolutamente
inaceitável, porque induz a uma maior fraude e evasão e a uma
menor justiça e equidade do sistema fiscal.
Travar as prescrições de dívidas fiscais é, pois, um objectivo
prioritário, que constituirá um dos grandes e exigentes desafios
que se colocam aos Serviços de Finanças, neste e nos próximos
anos, sem que possam descurar, como é evidente, as restantes
tarefas e objectivos que lhes estão cometidos.
Por outro lado, não nos podemos também esquecer que os
Serviços de Finanças são o rosto visível da Administração Fiscal,
pelo que a qualidade do seu trabalho e dos serviços que prestam
aos contribuintes é muito importante para a percepção que os
mesmos têm do desempenho da Direcção-Geral dos Impostos e,
consequentemente, para o comportamento que assumem perante
a mesma.
As chefias aqui presentes têm pois a missão, que não é fácil, de
liderar, eficaz e eficientemente, as respectivas equipas, de forma a
que possam ser atingidos os exigentes objectivos que se lhes
colocam. Para o efeito, é fundamental que utilizem e optimizem
todos os meios e recursos de que dispõem, quer no que se refere
a recursos tecnológicos, designadamente as aplicações
informáticas que já existem, quer no que se refere aos recursos
humanos.
Quanto aos recursos humanos, gostaria ainda referir que este ano
se dará continuidade ao reforço, iniciado no ano anterior, dos
efectivos afectos aos Serviços de Finanças. Assim, em 2005,
estes serviços foram, como sabem, reforçados com cerca de 600
efectivos Está prevista para este ano a integração na Direcção-
Geral dos Impostos de mais de 700 novos funcionários, oriundos
na sua grande maioria de outros serviços e entidades da
Administração Pública, sendo que a maior parte dos mesmos
ficarão afectos aos Serviços de Finanças.
Acresce que, também no corrente ano e no âmbito do Programa
Operacional da Administração Pública, se prevê a admissão de
cerca de 500 estagiários para os Serviços de Finanças pelo
período de um ano, que irão reforçar o número de efectivos
afectos à tramitação de processos pendentes, designadamente
processos de reclamação e processos de execução fiscal.
Ao nível dos recursos tecnológicos, vai-se investir ao nível da
DGITA na melhoria e na estabilidade dos sistemas de informação,
por forma a obviar às dificuldades que têm vindo a ser sentidas e
que, como referi, obstam a um melhor desempenho dos serviços.
Está também prevista a implementação do sistema de gestão de
filas de espera, que permitirá melhorar o serviço prestado no
atendimento ao contribuinte, nos principais Serviços de Finanças.
É minha convicção que a consolidação e estabilização dos
sistemas informáticos, e o reforço dos recursos humanos,
permitirão que os Serviços de Finanças fiquem dotados dos meios
necessários ao cabal cumprimento das funções e dos objectivos
que lhes foram estabelecidos.
Estou também certo de que posso continuar a contar com o
empenho e a dedicação das chefias aqui presentes na contínua
melhoria do trabalho realizado.
Quero ainda aproveitar este momento, em que estamos a aprovar
o Plano de Actividades da DGCI para 2006, para fazer uma breve
referência a alguns aspectos que me parecem particularmente
relevantes.
Em primeiro lugar, quero salientar o facto de a inspecção tributária
ter sido escolhida como área prioritária de 2006, o que significa
que a mesma será objecto de particular enfoque, designadamente
no que se refere à afectação de recursos humanos e materiais,
visando a sua modernização e melhoria de desempenho.
Pretende-se, assim, que o ano de 2006 represente a consolidação
de uma estrutura de inspecção tributária mais consentânea com
as necessidades de combate à fraude e evasão fiscal, envolvendo
um elevado investimento na formação de novos inspectores e a
melhoria das metodologias de inspecção e de selecção e
segmentação dos contribuintes.
Ou seja, pretende-se melhorar os métodos e as condições de
trabalho da inspecção tributária, com o claro objectivo de se atingir
uma maior eficiência ao nível dos respectivos procedimentos.
É também essencial que se introduzam melhorias significativas ao
nível da fundamentação, sendo, para o efeito, muito importante
que se afectem a esta área inspectores com formação jurídica,
aspecto que me parece essencial para um maior êxito na
cobrança das liquidações adicionais efectuadas.
De facto, não é satisfatória a taxa de insucesso registada pela
administração fiscal ao nível das liquidações de imposto
contestadas em tribunal – sendo que, como todos sabemos, este
insucesso está, em grande medida, associado a questões de
natureza meramente formal – o que demonstra, de forma muito
clara, que existe um grande espaço para melhoria, sendo muito
importante investir no aumento da qualidade da fundamentação
dos actos tributários.
Por outro lado, ninguém ignora que é crucial que se continue a
apostar de forma determinada na regularização voluntária, sendo
que a crescente visibilidade da actuação da inspecção tributária é
um factor essencial, para aumentar a percepção do risco
associado à evasão e à fraude e, consequentemente, para a
indução do cumprimento voluntário.
Ainda ao nível da actuação da inspecção tributária e respectiva
visibilidade, saliento como aspecto de superior relevância o
enfoque nos contribuintes não declarantes – os que actuam à
margem do sistema – na utilização de facturas falsas e na evasão
e fraude no âmbito do IVA, face à importância que estas
realidades têm em termos orçamentais.
Esperamos todos que o esforço que este ano vai ser investido na
inspecção tributária seja devidamente compensado e que, no final
deste ano, tenhamos uma inspecção fortalecida, mais eficiente e
mais eficaz, e que isso seja percebido pela generalidade dos
cidadãos.
Quero também deixar bem claro que o facto de, neste ano, ser
dada prioridade à inspecção tributária não significa, nem poderia
significar, que se descure a atenção necessária ao nível das
restantes áreas, até porque só o desenvolvimento equilibrado e
integrado das diferentes áreas de intervenção da Direcção-Geral
dos Impostos permitirá catapultar esta organização para os
elevados patamares de eficácia e eficiência que todos desejamos.
Assim, as restantes áreas continuarão naturalmente a ser objecto
de atenção, tendo em vista a manutenção dos níveis de
desempenho pretendidos.
Outra área a que não poderia de deixar de fazer referência, e que
é fulcral em todas as organizações, é a que respeita aos recursos
humanos.
Todos sabemos que, sem recursos humanos motivados e
altamente qualificados, as organizações não progridem.
Neste sentido – atentas as elevadas responsabilidades da
Direcção-Geral dos Impostos e a importância que o seu
desempenho tem ao nível da consolidação orçamental que,
ninguém ignora, constitui um desiderato nacional – o Governo está
disposto a fazer um esforço orçamental, mantendo, dentro das
possibilidades existentes, os estímulos necessários à motivação e
ao aumento da produtividade dos colaboradores desta Direcção-
Geral, designadamente no que se refere às dotações necessárias
para assegurar:
• a continuidade das oportunidades de progressão na carreira,
designadamente por concurso;
• a manutenção do Fundo de Estabilização Tributária (FET);
• o investimento na formação profissional, o qual é, sem dúvida,
dos mais elevados e necessários na Administração Pública
Portuguesa;
• e os novos cargos de dirigentes criados na nova estrutura da
DGCI.
Para terminar, quero mais uma vez manifestar o meu apreço pelo
bom trabalho que esta Direcção-Geral tem vindo a desenvolver – e
que permitiu que, em 2005, fossem ultrapassados os difíceis
objectivos fixados para receita fiscal. E também – relembrar-lhes
que este ano continua a ser elevado o crescimento estimado para
receita fiscal, num contexto de fraco crescimento económico, pelo
que se continua a exigir de todos vós um elevado esforço, mas a
que, estou certo, não deixarão de corresponder, como sempre têm
feito.
Do nosso desempenho depende a capacidade do Estado de
investir em áreas fundamentais, como a Saúde, a Educação e a
Justiça.
Melhor que ser alvo de felicitação uma vez, é sê-lo de uma forma
consistente. Conto convosco.
Desejo-vos a todos um Bom Ano de 2006 e os maiores sucessos
ao nível profissional e pessoal.
Muito obrigado.
Ministério das Finanças e da Administração Pública - avisos legais | ficha técnica
Informação disponível no sítio do Ministério das Finanças e da Administração Pública - www.min-financas.pt